quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Qual é o problema?

Quero escrever, mas algo não deixa. Talvez a vergonha de não se aquilo que gostaria de ser ou pelo simples fato de não saber escrever.

Em muitos momentos quero falar o que penso sobre isso ou aquilo, sinto-me desafiado a criticar, a tomar partido, mas logo essa vontade passa, dando espaço ao homem 'morno' que ainda habita em mim.

Ouço alguém falar: "Vai, faça algo relevante!", e em questão de minutos estou revigorado e confiante, mas no mesmo instante escorrego na cadeira até que não me vejam mais.

Fujo, não de você ou do que pedes que eu faça meu amigo, preste atenção...

Fujo de Ti ó Senhor, e por não querer mais errar digo "NÃO".

Não quero começar e não terminar.
Não quero ter que amar odiando.
Não quero abraçar não me envolvendo.
Não quero louvar só por louvar.
Não quero testemunhar blasfemando.
Não quero relacionamento íntimo contigo sem ser eu mesmo.
Não quero ser súltil, educado e tão pouco politicamente correto.
Não quero, não quero, não quero, não quero.

Senhor, olhando para dentro de mim verás que não passo de uma criança. Tu sabes bem que não tenho muito a oferecer e o pouco que tenho (bem pouco mesmo) não é tão verdadeiro assim.

Reconheço em mim as falhas de um ser humano perdido nesse mundo de mocinho e bandido, e quer saber de uma coisa?, ainda não escolhi em que lado estou, se do mocinho ou do bandido, mesmo porque ser um ou outro é só uma questão de posicionamento, de qualquer forma acabamos exercendo os dois papéis...

Senhor, não é um "NÃO" para sempre, é simples e tão somente um tempo, e se preciso for, faça com que as pedras falem em meu lugar, faça com que a mula fale em meu lugar.

Não nego a fé que tenho, nem o sacrifício feito por Cristo na cruz, isso jamais farei. Mas o Senhor sabe de fato qual a intenção do "NÃO". Tu sabes qual é o problema!

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Rios em lugares secos.

Por Everton Vidal - Re-novidade

Os nossos olhos estão viciados, por isso não entendemos a nossa vocação. Nos fechamos em coisas supérfluas e irreais como os números. Pensamos que “igreja” boa é a mais numerosa, a que mais cresce ou a mais lucrativa. Não há nada mais enganoso do que tais estatísticas. Esses dados não passam de fugas ou desculpas para nossa incompetência em completar nossa missão. Mas qual é a nossa missão?

“Alegrem-se o deserto e a terra seca”, profetiza Isaías, e prossegue: “jorrarão águas no deserto e rios na terra seca”. Eis a nossa Missão. Anunciar que um novo mundo é possível e criá-lo, ainda que as aparências digam o contrario, ainda que as circunstâncias não poucas vezes incutam o desespero até nos mais otimistas, o Novo Reino é real e sua vinda é certa, pois nasce e cresce a partir de nós.

Nossa missão é dizer ao mundo que felizes são os pobres de espírito, porque neles o Reino do Amor se materializa, deixa de ser meras e belas palavras para ser atos reais. Felizes os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, alegrem-se os desertos e lugares secos. Que regresse o riso à face dos que perderam entes queridos para a injustiça, que regresse a esperança aos que perderam a liberdade e a dignidade. “A terra seca se mudará em vargens, e o chão seco se encherá de fontes”. A hora vem e já chegou, em que para os que sofrem e choram chegará uma alegria sem fim que colocará a tristeza e o pranto para fugir.

O ministério que recebemos, segundo São Paulo, é o da reconciliação, isto se constitui em ir pelo mundo anunciando que estamos reunidos com Deus por meio do Cristo, e insistir que os homens mudem a direção dos seus caminhos, da morte para a vida. Pois não há mais dívidas para pagar, apenas o amor para viver. Eis a nossa missão, o nosso mistério outrora oculto e agora revelado aos de olhos e corações dispostos. Eis a nossa loucura e o nosso escândalo. Não há morte e cruz a que não se siga a Ressurreição.

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Música: Somente seu Senhor.

Essa música faz parte do cd Poemas e Canções do Leonardo Gonçalves.

Somente seu Senhor
Compositor: Leonardo Gonçalves

Por muito tempo eu andei, onde eu sabia que não devia,
Colhendo o vazio que eu plantei.

Por muito tempo procurei outras formas de alegria,

Mas hoje venho Lhe pedir perdão.


Por muito tempo eu busquei o que a vida oferece,

Perdendo ao tentar me encontrar.

Por muito tempo acreditei em mim e minha própria força,

Mas hoje, fraco, decidi voltar.


Aceite-me, Senhor.

Demonstre Seu Amor.

E faça com que eu possa renascer.


Mesmo que o mundo tente separar-me de Você,

Mesmo que tudo desmorone ao meu redor,

Mesmo que eu tenha a sensação de que

É tão difícil ser fiel,

Quero ser somente Seu, Senhor.

Quero ser somente Seu, Senhor.


Senhor, ás vezes não consigo andar aonde deveria

E perco-me até em Suas mãos.

Mas quando sinto Seu abraço a Sua grandeza me ilumina

E é desta luz que eu quero partilhar.


Aceite-me, Senhor.

Demonstre Seu Amor.

E faça com que eu possa renascer.


Mesmo que o mundo tente separar-me de Você,

Mesmo que tudo desmorone ao meu redor,

Mesmo que eu tenha a sensação de que
É tão difícil ser fiel,

Quero ser somente Seu, Senhor.

Quero ser somente Seu por toda minha vida,

Por todos os momentos,

De toda minha alma,

Quero ser somente Seu, Senhor.


Mesmo que eu tenha a sensação de que

É tão difícil ser fiel,

Quero ser somente Seu, Senhor.

Quero ser somente Seu, Senhor.


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Quem?


Quando Abraão se queixou a Abimeleque que os empregados dele haviam tomado à força um de seus poços, o rei de Gerar respondeu: “Não sei quem fez isso. Você nunca me falou nada, e esta é a primeira vez que estou ouvindo falar desse assunto” (Gn 21.26, NTLH).

Porque o culpado se esconde, porque ele costuma agir durante a noite, quando todos dormem, porque ele mente, porque ele é um lobo travestido de cordeiro ou de vovozinha -- ninguém o conhece, senão algum (ou muito) tempo depois.

Abimeleque não sabia qual dos seus empregados havia tomado à força um dos poços de Abraão. Nem Josué nem o povo de Israel sabiam o nome do israelita que havia quebrado a aliança e ficado com os despojos de Jericó. Nenhum dos apóstolos sabia qual deles estava traindo o Senhor. Nem o dono da plantação nem seus empregados sabiam quem havia plantado joio no meio do trigal.

A pergunta “Quem?” é pertinente. Logo no início da história humana, o Criador chegou bem perto da criatura nua e lhe perguntou à queima-roupa: “Quem lhe disse que você estava nu?” (Gn 3.11). João, o discípulo que estava mais próximo de Jesus durante a Ceia, perguntou-lhe: “Senhor, ‘quem’ é ele [o traidor]? (Jo 13.25). Paulo, cheio de indignação, perguntou às igrejas da Galácia: “Ó gálatas insensatos, ‘quem’ os enfeitiçou?” (Gl 3.1). Os ceifeiros perguntaram ao dono do trigal: “De onde será que veio este joio?” (Mt 13.27).

No caso dos despojos de Jericó, o culpado é Acã (Js 7.18). No caso do joio plantado no meio do trigo, o culpado só poderia ser algum inimigo (Mt 13.28), que Jesus identifica como “o próprio Diabo” (Mt 13.39). No caso da traição de Jesus, o traidor é aquele a quem o Mestre deu um pedaço de pão passado no molho, ninguém senão Judas, filho de Simão Iscariotes (Jo 13.26). No caso dos gálatas, os verdadeiros culpados são os judaizantes legalistas que haviam se infiltrado nas comunidades cristãs da Galácia para pregar outro evangelho (Gl 1.7). No caso da desconfortável nudez adâmica, o Criador não esperou a resposta de Adão e ele mesmo respondeu à sua pergunta com outra pergunta acusatória: “Por acaso você comeu a fruta da árvore que eu o proibi de comer?” (Gn 3.11, NTLH).

Mais cedo ou mais tarde, os verdadeiros culpados de todas as tragédias e guerras da história, desde o dilúvio até a derrubada das torres gêmeas, de toda injustiça, de toda perversão humana, de todos os escândalos políticos e eclesiásticos, e de toda dor e sofrimento terão seus nomes proclamados em alta voz. Nesse mesmo tempo, os primeiros e verdadeiros fazedores de boas obras, ainda não conhecidos porque se esconderam da publicidade ou porque foram propositadamente escondidos do público pela sociedade, também terão seus nomes mencionados sem alarde, de tal modo que a glória continuará sendo exclusivamente do Senhor!

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Deus não liga ...

... muito para o que oramos.


Pensei algo sobre Deus que me tem feito muito bem. Deus não leva muito a sério o que pensamos e dizemos. Não pode. Pensamos e falamos com tanta imprecisão que se o Altíssimo considerasse nossas orações e intenções estaria com sérias dificuldades em sua misericórdia. Seria o colapso da misericórdia divina ou da existência humana.

Na maravilhosa e citadíssima parábola do Filho Pródigo, há essa manifestação da indiferença amorosa de Deus. O filho que abandonou a casa do Pai para prodigalizar seu egoísmo, gastando tudo o que tinha, retorna com um pedido na ponta da língua: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teu empregados’. A reação do Pai é uma indicação incontestável de como Deus reage às nossas expectativas e súplicas. Ao tentar dizer o que queria ao Pai, o filho pródigo-culposo teve sua fala pulverizada pela indiferença bondosa do pai: ‘Mas o Pai disse aos servos: Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!’

De tanto que ama não dá para levar a sério o que diz o filho. Sua alma culpada e instável torna suas palavras impotentes para comunicar o que realmente precisa.

Outro episódio que sugere com força essa desconsideração divina com nossas orações é o que descreve os conflitos de Jonas. Debatendo-se com a tarefa de profetizar à Nínive, o profeta vai parar no ventre de um grande peixe. De lá clama por livramento. De volta à vida, Jonas prega a condenação da cidade que quer ver destruída. Nínive se arrepende de sua maldade e Deus se arrepende de a ter levado a sério. Não mais será destruída a Nínive detestada pelo profeta. Em crise com a incoerente misericórdia divina, Jonas parece reivindicar que Deus o leve a sério e a sua lógica de justiça. Sua queixa é a de ver um Deus mais bondoso e propenso a perdoar que justo e disposto a punir. Parece não levar tanto a sério a vida incerta da pessoa humana.

Jonas ora de novo. Agora pede a morte. Alguns dias depois de pedir a vida. Quer viver quando suas expectativas ainda podem se cumprir. Quer morrer quando se vê impedido de impor sua lógica ao mundo. Quer viver quando Deus ainda pode ser dobrado à sua teologia. Quer morrer quando sua teologia é relativizada pelo próprio Deus.

Deus relativiza suas compreensões teológicas quando faz a brincadeira da aboboreira. Cresce em um dia para dar conforto, morre no outro para afligir. Do jeito que é a vida. Do que jeito que é a alma humana.

Vejo Deus agachado às angústias de Jonas. Parece convidar Jonas para entender seu coração. ‘Você acha razoável sentir pena de uma planta pela qual nada fez e não entende porque eu sinto pena de cento e vinte mil almas confusas de Nínive?’ Se nem as orações de Jonas e nem seus conceitos teológicos conseguem não ser contraditórios, como poderia Deus levar suas súplicas e teologia muito a sério?

Desconfio que foi por isso que Paulo disse aos Romanos que por não sabermos orar como convém, Deus ora em nós. Para nos levar a sério, Deus precisa não levar muito a sério nem o que pensamos nem o que oramos.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti: Estamos Abandonados.

Por Otávio Calegari Jorge*


A noite de ontem foi a coisa mais extraordinária de minha vida. Deitado do lado de fora da casa onde estamos hospedados, ao som das cantorias religiosas que tomaram lugar nas ruas ao redor e banhado por um estrelado e maravilhoso céu caribenho, imagens iam e vinham. No entanto, não escrevo este pequeno texto para alimentar a avidez sádica de um mundo já farto de imagens de sofrimento.

O que presenciamos ontem no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia.

O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti? As casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo. Alguns desses problemas foram resolvidos com a presença de milhares de militares de todo mundo?

A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah. Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, Coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país.

Hoje, dia 13 de janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah quando precisamos dela?

Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros.

Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderíamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah.

A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia – o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possível. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados.

A polícia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruídos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade.

Me incomoda a ânsia por tragédias da mídia brasileira e internacional. Acho louvável a postura de nossa fotógrafa de não sair às ruas de Porto Príncipe para fotografar coisas destruídas e pessoas mortas. Acredito que nenhum de nós gostaria de compartilhar, um pouco que seja, o que passamos ontem.

Infelizmente precisamos de mais uma calamidade para notarmos a existência do Haiti. Para nós, que estamos aqui, a ligação com esse povo e esse país será agora ainda mais difícil de ser quebrada.

Espero que todos os que estão acompanhando o desenrolar desta tragédia também se atentem, antes tarde do que nunca, para este pequeno povo nesta pequena metade de ilha que deu a luz a uma criatividade, uma vontade de viver e uma luta tão invejáveis.

***
- O professor Omar Ribeiro Thomaz e um grupo de alunos da Unicamp que estão no Haiti desde 31 de dezembro e foram surpreendidos pelo terremoto que devastou o país na última terça-feira (12), mantém um blog em que descrevem a situação em Porto Príncipe.
- Foto: Garoto resgatado dos escombros recebe tratamento em ambulatório improvisado na Capital Porto Príncipe. (Fonte: G1)

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Como posso descobrir a minha vocação?


Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. 1Corintios 12.4-7,11

Você sabe que tem uma vocação quando seu conjunto de talentos, capacidades e habilidades está identificado. Os conceitos de inteligências múltiplas (ver de Howard Gardner) e de dons e ministérios indicam que todas as pessoas são dotadas de recursos para realizações úteis. Quando somos conscientes dos recursos que nos são inerentes ou que recebemos e ou adquirimos ao longo da vida, podemos discernir melhor a contribuição que podemos dar para o bem comum.

Você sabe que tem uma vocação quando seu conjunto de talentos, capacidades e habilidades está disponibilizado de forma organizada. Contribuições pontuais e ações eventuais não são suficientes. A vocação é exercida numa rotina de atividades por meio das quais canalizamos nossos recursos para suprir necessidades específicas das pessoas.

Você sabe que tem uma vocação quando sua contribuição independe de remuneração. Na verdade, quando você está inclusive disposto ou disposta a pagar para continuar a fazer o que faz. Paulo de Tarso era fazedor de tendas por ocupação e apóstolo por vocação. Sua atividade apostólica não dependia de remuneração, e inclusive era, de quando em vez, auto-financiada.

Você sabe que tem uma vocação quando existe uma necessidade do/no mundo a respeito da qual você se sente responsável. Pode ser um grupo social, um povo, uma instituição, uma causa, enfim, algo pelo que você se sente impelido ou impelida a fazer alguma coisa.

Você sabe que tem uma vocação quando aquilo que você faz exige mais do que mera intuição, exige capacitação. Para exercer uma vocação você deve se comprometer a estudar, se aperfeiçoar e se desenvolver de modo a fazer cada vez melhor e com mais excelência, eficiência e eficácia aquilo que faz.

Você sabe que tem uma vocação quando as coisas que acontecem ao redor de sua atuação se explicam apenas pela ação do Espírito Santo. O chamado divino para uma tarefa específica se faz sempre acompanhar dos recursos divinos para sua concretização e sucesso.

Você sabe que tem uma vocação quando recebe constante feedback (retorno) de pessoas que agradecem e glorificam a Deus pela sua vida. O critério último de uma vocação não depende de quanto você gosta do que faz, mas de quanto as pessoas são abençoadas pela sua contribuição.

Você sabe que tem uma vocação quando, ao final de um artigo a respeito de vocação, você não tem um monte de interrogações na cabeça. Como na conversa em que um jovem pergunta ao pastor como saber se está apaixonado, e o pastor responde "Não sei, mas sei que você não está". Quem precisa perguntar "como posso descobrir minha vocação?", ainda não a descobriu - não significa que não tem uma vocação, mas que ainda não sabe qual é.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Há um caminho de cura.


O casal estava em crise, não havia mais respeito entre eles. Por qualquer coisa viviam se agredindo, pareciam estar numa competição ao invés de num casamento. Já não sabiam mais como isso tinha começado. Algumas possibilidades vinham às suas mentes: eles tinham vivido numa gangorra na história comum. No começo do casamento ele era o único provedor da família, tinha uma posição importante na empresa em que trabalhava e cresceu ainda mais. A empresa custeou-lhe estudos, aprimoramentos, e ele soube aproveitar bem as oportunidades que lhe foram dadas, cresceu a ponto de começar a desprezar a esposa que, ao seu ver, não mais conseguia acompanhar o seu ritmo e cultura. Mas a vida lhe pregou uma peça. A empresa, por razões que nada tiveram a ver com ele, foi à falência. E, para piorar a situação, ele foi colhido por uma crise nacional, onde conseguir uma recolocação tornou-se uma impossibilidade.

A esposa há muito fora do mercado, consegue um bom emprego e começa uma trajetória de sucesso. O marido vai, gradativamente, assumindo os afazeres de casa. Os papéis se invertem, ela, mais e mais, passa a jogar-lhe em rosto o novo quadro, questiona-o sobre como ele está se sentindo, agora que os papéis são outros e ela ganha muito mais do que ele nunca ganhou. A vida a dois tornou-se um inferno.

Cansados desse estado de coisa, já prestes a se separarem, resolvem procurar ajuda, começaram a frequentar um conselheiro bíblico. O terapeuta, uma vez a par do caso, concluiu que a causa do problema era a perda de uma perspectiva.

A Bíblia diz: “Deixará o homem seu pai e sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne.” (Gênesis 2:24), falou o conselheiro, acrescentando que essa palavra bíblica celebra a unidade que se tornam homem e mulher, no casamento. Quando essa perspectiva da unidade de perde, entra na arena a competição e com ela o desrespeito.

Quando marido e mulher tem consciência de sua unidade, não importa quem provê o que, ambos trabalham para si mesmos, tanto faz quem ganha mais ou quem ganha menos, o que interessa é que estão juntos construindo um sonho comum. Reina o respeito, todos os papéis são igualmente valiosos, e não importa o quanto a vida os alterne, a unidade relativizará o quadro.

O conselheiro informou-lhe que se fossem por esse caminho encontrariam a cura: porque é assim que a Bíblia diz.

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

É Deus que abençoa.

Somos na maioria das vezes abençoados por Deus ou mendigamos ao homem até que se faça nossa vontade para que então possamos dizer: “Fomos abençoados por Deus”?

Não é de se estranhar que muitos, a exemplo dos que estão na mídia a implorar por uma oferta de amor, esqueceram de orar pedindo à Deus e começaram a pedir diretamente ao homem.

Sempre gostei de histórias que demonstravam a ação do Espírito Santo ao responder uma oração, uma oração à Deus. Ficava pensando: “Nossa, o agir do Espírito Santo é tremendo, Deus realmente nos ajuda nos momentos que mais precisamos”, e continuo a pensar assim, mas com algumas ressalvas.

Não consigo imaginar o mover do Espírito quando ganhamos aquilo que proferimos aos quatro cantos como necessário para nossas vidas. Seria muito mais sensato se a partir das orações à Deus, e somente à Ele, fossemos agraciados com aquilo que almejávamos, mas como “homem” que somos partimos para a mendigaria e começamos a 'chorar as pitangas' literalmente.

Posso imaginar que alguns dêem de coração a tal “oferta de amor”, mas tenho certeza que muitos, constrangidos e talvez contrariados pela situação, vão ofertar simplesmente por que estão ofertando.

É muito cómodo esperar das pessoas o auxílio divino, começa assim, daí quando você menos esperar, estará pedindo ofertas de R$ 900,00.

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Qual a minha vocação?

Paul e Adriana, gostaria de parabenizá-los pelo último podcast sobre Vocação. Tema pertinente à todos, mas principalmente para nossa geração (dos 30 anos).

Um podcast com Ari e Ed só poderia ser espetacular, como o Cassiano mesmo disse: "Ouvimos e começamos a pensar, refletir ...", temos que andar com um caderninho para anotar algumas frases que impactam.

Por exemplo, um dos comentários que me chamou a atenção foi o fato de que talvez não sejamos vocacionados para fazer algo diretamente na igreja. Fiquei pensando sobre isso, vejam só... fui criado em um esquema onde o jovem deveria por obrigação usar seus talentos na/para igreja, então, via-se adolescentes (despreparados) pregando, tocando violão, cantando, organizando cantatas, abrindo reuniões de oração e por aí vai. E por conta disso sempre me senti mal, meio frustrado por não "fazer" nada realmente relevante na/para igreja.

Refletindo melhor, percebo que os meus anseios, aqueles ligados ao ministério de louvor, ministério de comunicação, eram na verdade os desejos e vontades dos outros vividos por mim. Me sentia muito mal por não fazer parte dos integrantes que atuavam na igreja.

Melhor pensar que não tenho vocação para trabalhar na/para igreja? Não sei!

Mas o mais importante é saber que sirvo à Deus mesmo fazendo algo para o homem.

***
Paulinho Degaspari, Adriana Degaspari e Cassiano recebem Ariovaldo Ramos e Ed René Kivitz para inaugurar 2010 como o ano da vocação em irmaos.com.

Descubra a diferença entre ocupação, trabalho, emprego e carreira, saiba o que os dons espirituais têm a ver com tudo isso e entenda por que tem tanta gente frustrada com a vida.

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Bem-aventurado.

Ainda que ao final de mais um ano todos coloquem mensagens de esperança, de alegria, felicitações, desejando um 'Feliz Ano Novo', a verdade é que temos o desejo de replicar os inimigos, aborrecer os desafetos, alegrar-se com os amigos, equilibrar-se na corda bamba da vida e mostrar ao mundo que apesar de tudo estamos fortes.

Queremos deixar a impressão de que tudo terminou bem, ainda que seja verdade, mas preferimos abafar o rastro destruidor que causamos e que também nos derrubou.

Gostamos de dizer que durante o ano fomos iguais ao 'bambu chinês', que em meio ao vento forte e tempestuoso, curvou-se com a força, mas não foi derrubado, pois... "É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão.", puro clichê.

Nos últimos dias do ano faço a minha retrospectiva e percebo quantos amigos nos deixaram, e quantos mais eu deixei, em compensação novos surgiram. Lembro-me dos familiares distantes, uns por conta da própria distância, outros por conta da arrogância dos nossos corações. Lembro-me das brigas e quantas poderiam ter sido evitadas, mas algumas, principalmente aquelas com gosto de vitória, fazemos questão de não esquecer.

Para mim, o ano de 2009 começou como outro ano qualquer, cheio de desejos e rancores, cheio de propostas e temores. Começou com a mesma esperança de um Ano Novo e termina com um gosto de que poderia ter vivido melhor durante todos os dias de 2009. Vai-te embora 2009!

Quero encerrar as postagens de 2009 com as 'Bem-aventuranças".

"Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês." Mateus 5:1-11

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Metamorfose do Will...

Bom, só tenho a dizer que esse post é um daqueles que invejamos por não ter escrito!

Parabéns para o Will que mandou muito bem, pois retratou sua 'metamorfose', e porque não dizer a nossa 'metamorfose'?, pois tenho a impressão de que muitos têm passado por isso.

A verdade é que não é fácil passar por esse processo, é uma decisão difícil, é um momento de luto, é um período de dor, mas... é necessário. Acho que é nesse momento que enterramos o velho homem de vez ... acho!

Agora, aproveitem a leitura a seguir e prestigiem o blog Celebrai do Will.

***
METAMORFOSE

Quanto mais o tempo passa, mais eu concluo que as pessoas não entenderam meu racha com o movimento popular evangélico. Pelo que percebo, eles, os poucos corajosos (talvez curiosos) que se arriscam em me perguntar sobre fé, acham que “apenas” mudei de igreja, ou que talvez tenha trocado de costumes, mas acho que nenhum deles percebeu que rompi doutrinariamente com a igreja. Sim, mudei de Deus, de céu, de inferno, de vida, de morte...., enfim a troca dos significados dos substantivos é tamanha, que para resumir o quadro de mudanças prefiro reunir toda a mudança numa palavra: metamorfose.

Aliás, podem me classificar como um desviado, pois embora continue acreditando que as instituições religiosas podem conseguir vivenciar o reino de Deus - a partir de um processo de desprendimento eclesiástico -, confesso que tenho consciência do grau de dificuldade destas e, portanto, permito-me crer num outro Deus e experimentar uma outra espiritualidade. Não faço questão de ser levado a sério por eles - os crentes -, tampouco obter aval de qualquer igreja constituída; não tenho a mínima preocupação de me enquadrar no estatuto de qualquer organização evangélica, quero apenas dizer que sou evangélico querendo eles ou não, crente, aprovando eles ou não, cristão, mesmo sem carteirinha de membro institucional. Sou porque vivo na fé da vida do Filho de Deus, e isso não me foi garantido por qualquer instituição, quem me deu foi o Pai, e nem o Diabo me rouba.

Minha consciência não me condena, meu coração não me acusa, minha mente não me aponta, sou do Filho e o Filho é meu Senhor, amigo, irmão e Deus - talvez isso seja o suficiente para esperar de Deus a coroa da vida. Quando me aproximo de Cristo, sou livre para chamá-lo de mano, cara, parceiro, companheiro, e a reverência não está em como chamo-o, mas em como amo-o. Conheço uma porção de pastores, bispos, apóstolos e padres, que chamam-no de Soberano, mas relacionam-se com Ele como ou a um tirano ou a um ídolo, de quem se suga tudo que se pensa ter direito ou se serve sem diálogo, dúvida, questionamentos e contingências.

A metamorfose acontece em mim, pois Ele, Jesus de Nazaré, é tudo em mim, pra mim e por mim, e em nada que faço, consigo fazer sem ser nEle. Agora não existe mais a boa e velha (religiosa) dicotomia: espiritual versus material. Agora tudo que faço é em Cristo e nada fora de mim.

Em Cristo, em quem sou uma metamorfose muito mais que ambulante,

Will

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A igreja com Cristo do lado de fora.


“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” (Ap 3.20)

Ensaio da igreja com Cristo do lado de fora:

Era uma igreja
Muito engraçada
Não tinha Cristo
Não tinha nada

Ninguém podia entrar nela, não
Porque na Igreja não tinha perdão
Ninguém podia confessar pecado
Porque na igreja recebia fardo
Ninguém podia ser diferente
Porque robô tem que ser crente

Mas era feita com muita fé
Na rua dos santos
Numero "12 "

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Uma igreja que constrange.

Por Fernando Piva do blog PivaBlog

A manhã de hoje (30/11/2009) começou de forma inusitada. Uma colega de trabalho foi convidada para participar de um “culto” de formatura de teologia em uma determinada “igreja” de linha neopentecostal e me procurou para me relatar sua aventura. Pelo relato, percebi que a teologia neste “culto” ficou em último plano. A homenagem aos formandos ficou reduzida aos primeiros momentos da programação. Preocupa-me a qualidade da teologia ensinada a esses alunos.

Logo, o “pastor” começou a pregar, falou por mais de duas horas e o tema central foi o dinheiro. Atacou criticamente os moradores dos bairros de classe média e alta da cidade (dentre eles o que a minha colega mora), dizendo que todos eles eram seguidores do tal Mamon. Continuou dizendo que os “humildes” ali presentes (a maioria esmagadora) que eram os verdadeiros felizes e bem aventurados, porque tinham como dizimar (e demonstrar sua fé), apesar de possuírem poucos recursos, alegando que ricos só dão aquilo que sobra. Minha colega descreveu a cena como uma verdadeira tentativa de lavagem cerebral, pois o preletor incitava o povo contra as classes sociais mais ricas. Daí pergunto: seriam os pastores e líderes de igrejas que moram e exercem seus ministérios nos bairros nobres também seguidores de Mamon? Seriam templos de adoração ao Mamon, as igrejas instaladas nestes locais? Não deveria ser Jesus Cristo o tema central de uma mensagem cristã?

Durante o discurso, o pastor fez orações específicas: orou pelos dizimistas, por aqueles que estavam com os dízimos atrasados e também pelos que desejavam se tornar dizimistas. Foram orações separadas e sempre identificando os grupos de fiéis em cada uma delas. Um verdadeiro constrangimento para quem está visitando a igreja, sem saber o que está acontecendo e não fazer parte de nenhum grupo.

A plateia foi desafiada a contribuir para que a “igreja” pudesse organizar um evento em local público, cujos gastos estão orçados em mais de R$ 200.000,00! A justificativa: “se os mundanos podem trazer os seus cantores, nós poderemos engrandecer o nome de Deus naquele lugar com um mega evento”. Parece-me que eventos gigantescos, número de participantes e de tamanho e beleza de templo é que define a santidade e prosperidade de um grupo religioso. Tenho outra dúvida: quando certos “líderes de igrejas” vão cair na real e entender que o que Cristo quer é que toquemos as pessoas com a simplicidade de sua mensagem e não que sejam construídos templos faraônicos para servirem de palco para suas presepadas gospel?

O melhor estava por vir. O grand finale ficou por conta do esmagamento de Mamon. Todos foram convocados a levantar as mãos, orar, gritar, pular e trotar na cabeça do tal ser. Um barulho estarrecedor tomou conta do ambiente, somado com a gritaria dos membros ali presentes. A cena pitoresca quase fez a minha colega surtar! Por várias vezes ela tentou sair, mas acabou suportando a tortura até o fim, para não deixar de cumprimentar a sua amiga que a convidou para a formatura.

Eu ouvia o relato contado com riquezas de detalhes e ainda me questiono: a cada domingo, milhares de pessoas entram e saem de nossos templos sem receber a mensagem de salvação de Jesus Cristo. Elas não assimilam nosso evangeliquês (uma linguagem muito peculiar de se comunicar, pregar e cantar, muitas vezes recheadas de expressão arcaicas) e são constrangidas por não entender o que fazemos durante as horas que passamos juntos (ou separados) dentro de nossos templos.

Desconsolado, ainda sonho com uma igreja que atinja as pessoas por aquilo que deveria ser o seu alvo maior: o AMOR.

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Esperar com paciência ...

... no Senhor.

Nesses últimos dias um turbilhão de coisas tem acontecido. A verdade é que nem sempre sabemos esperar pelo momento certo, metemos os pés pelas mãos, daí ferrou tudo.

Mas aprendi uma coisa: "Por mais que nos precipitemos com algo, sempre que colocamos nas mãos de Deus, tudo se resolve da melhor maneira possível.", talvez 'a melhor maneira possível' não seja bem aquilo que você imaginou, mas acredite, se Deus está na jogada é a melhor maneira.

Como havia dito, os últimos dias foram loucos, e desde ontem tenho ouvido uma palavra que não me deixa em paz, esta palavra é 'PACIÊNCIA'. Ontem, ouvi no culto da igreja e hoje recebi em um e-mail através do Portas Abertas. Muitos podem até dizer que foi pura coincidência, enfim, para mim o que aconteceu é que o Espírito Santo resolveu dar uma mãozinha e deixou um alerta: "Espere com paciência no Senhor".

Veja o trecho do e-mail:

Rodrigo,

Não é fácil esperar em Deus. Sejamos sinceros: não é fácil viver pela fé e crer que o que vemos nublado no dia de hoje, estará claro amanhã. Não é fácil para os nossos irmãos que estão presos, ou têm sofrido alguma pressão para abandonar sua fé, acreditarem que, em algum momento, a salvação chegará e sua situação atual será transformada. Mas é aí que somos "testados": será que conseguimos esperar pacientemente no Senhor? Será que podemos descansar sabendo que receberemos uma resposta? Com certeza. O Senhor não ignora nosso sofrimento. Ele se inclina do seu trono, só para escutar a nossa oração. Ore, creia e espere. A solução chegará logo. Para nós, livres, e para nossos irmãos perseguidos.

Deborah Stafussi
Editora

"Esperei com paciência no Senhor, e Ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor."

Salmos 40.1

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Não sou apaixonado por Jesus.

Por Rodrigo - Blog do Digão

Lembro-me quando eu era adolescente. Na verdade, era um tempo horrível. Para começar, minha cara parecia um chokito, de tanta espinha. Era daqueles caras do fundão, meio sem popularidade. E, para piorar, me apaixonava muito fácil. Coisa de duas, três vezes por mês. Mas o pior é que sempre levei fora!

Sempre que levava um fora, ficava desiludido, triste pra caramba. Depois, olhava para o meu ex-objeto de amor (platônico, no caso) com outros olhos. Primeiro de raiva, depois de pena, por ter perdido alguém como eu (sério!). De qualquer forma, eram paixões de adolescente, mesmo, nada que durasse. Tanto é que nem me lembro mais das moças.

Paixão é isso mesmo. Característica de um tempo de amadurecimento de nossas vidas. E deve permanecer naquele tempo.

A Bíblia nos estimula a sempre buscarmos o amadurecimento. Quando o Senhor diz Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial (Mt 5.48), a palavra perfeito, no grego, é teleios, que significa completo, integral, amadurecido, maduro. Se a Bíblia nos diz para irmos numa direção, não entendo porque grande parte da igreja evangélica brasileira insiste em ir à direção oposta. É uma paixonite aguda que acomete nosso povo. Todo mundo está apaixonado. Tem aqueles que são adoradores apaixonados, derretidos, adoecidos, amortecidos, babões de amor por Deus. Não é à toa que há pesquisadores que consideram o amor e a loucura parentes próximos.

Sinceramente, acho ridículo homens barbudos gritando fininho e pulando feito alucinados gritando “te amo meu Noivo!”. Parece coisa de Parada Gay, não de igreja cristã. Realmente a Bíblia compara a Igreja com a Noiva. Mas daí querer sair saltitando de véu e grinalda é loucura e bichice demais para minha pobre cabeça!

O que a Bíblia nos diz é que devemos amar a Deus acima de todas as coisas (Mt 22.37). Amor é bem diferente de paixão. Um casamento estabelecido na paixão sexual, por exemplo, dura pouquíssimo tempo, porque só o sexo não segura a barra de um convívio duradouro. Paixão é coisa passageira, de momento. Coisa de criança, de adolescente. Seguimos buscando a estatura do homem feito, adulto (Ef 4.13). Então, vamos deixar de modismos infantis (1Co 13.11) e realmente amar ao Senhor, largando essa nossa capa de frieza e distanciamento dEle. Mesmo porque não adianta e pega muito mal.

Ame ao Senhor. Não seja apenas apaixonado por Ele.

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O que somos nós?

Por Eduardo Medeiros do blog Sala do Pensamento
Título original: "O que somos nós ou Voltando a missão original"

"Deus está no eu-mesmo, mas o eu-mesmo não é Deus". (Alexandre Altmann).

Gosto de frases de efeito. De preferência que possuam conteúdo, e essa, é uma boa frase de efeito com conteúdo. Ela expressa um ponto dogmático do cristianismo ortodoxo que é a ideia de que apesar de Deus habitar em mim, ou seja, no eu-mesmo, esse eu-mesmo não é Deus; Deus apenas habita, convive, compartilha, mas isso não me transforma Nele ou faz da minha essência humana, algo divino.

Uma outra boa frase, esta um pensamento da religiosidade hindu diz que "Deus dorme na pedra, sonha na planta, se move no animal e desperta no homem". Aqui, o pensamento é diametralmente oposto à frase de Altmann. A religiosidade hindu vê Deus em todas as coisas, e todas as coisas são um reflexo de Deus, senão Deus mesmo.


A teologia cristã não endossa o panteísmo (Deus é tudo, tudo é Deus), mas será que de alguma forma Deus não está numa planta? não sonha num animal? não dorme em uma pedra? não é despertado no homem?


Então fiquei pensando na frase do Altmann e acabei formulando minha própria frase dela resultante:


"Não sei o que sou no eu mesmo, mas se Deus mesmo está no eu mesmo, como o eu mesmo outra coisa pode ser senão eu-mesmo-Deus? ou, se no meu eu mesmo está Deus mesmo, então o que sou no eu mesmo?"


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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Tristes conclusões sobre ...

... a juventude pentecostal brasileira.

Por Will do Blog Celebrai

Falar do que vi pode ser fácil quanto ao que descrever, mas, garantidamente, é amargo, visto não ter alcançado o fim pelo qual eu tanto fiz.

Não me julgue como a um arrogante, definitivamente não o sou; mas confesso que a juventude evangélica pentecostal pouco faz, a fim de atender as exigências do reino de Deus. Não vi, enquanto fui um integrante de tal mocidade – como líder, em grande parte do tempo – ações efetivas em direção às ações sociais, tampouco interesse no crescimento intelectual; apenas uma desenvoltura supostamente espiritual, cheia de histeria – atendendo ao script evangélico pentecostal brasileiro.

Não generalizo. Falo apenas do que vi e vivi.


Não sei se pelo fato de viver numa comunidade majoritariamente de classe baixa – com raras exceções – e considerando os incentivos do sistema – que pouco tinha do evangelho -, vi uma juventude sem expectativas de vida, a não ser numa suposta vida espiritual que não passava de ópio em medidas excessivas. A ignorância foi tanta, que incentivei a leitura de boas literaturas; indiquei músicas cristãs de qualidade poética e bíblica – sem falar nas músicas não religiosas -, mas a única coisa que obtive foi o desprezo.

A falta de interesse em pensar fez a juventude pentecostal ter medo de palavras como: sexo, transa, política, ciência, evolução, poesia e etc. Enfim, tudo que não estava na Bíblia ou nos, improdutivos sermões dos pastores-sacerdotes, era coisa da carne ou incentivo pró-maligno.

É doído concluir, mas a mocidade pentecostal é histérica quanto à vida e ao reino. Estudam porque precisam de trabalho, não para alcançar conhecimento e crescimento intelectual; casam como uma forma de libertação da libido sexual, não pela beleza do matrimônio. Eu bem que poderia listar uma diversidade de itens que só evidenciam o quanto este é um tipo de juventude que não produz grandes expectativas para o futuro, só não o faço porque ainda me sinto um deles; tenho amigos lá. Prefiro continuar lutando para que as previsões não se efetivem mesmo tão distante, mesmo que só com os joelhos curvados.

Em Cristo, Deus dos jovens pentecostais, ainda que tão mal compreendido por eles,

Will.

Obs.: Escrevi este post a convite do meu brohter Kennedy (acreano gente boa), como contribuição à uma seção de seu blog: Geração Renovada - Mente Renovada, Vida Transformada. Pra mim foi o maior privilégio.
A imagem pode parecer um pouco distante do texto quanto às mensagens, entretanto, são - no tocante à ideia - irmãs, visto que é nisso que têm se tornado a juventude pentecostal e neo-pentecostal brasileira.

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domingo, 13 de dezembro de 2009

Cosmovisão - o que é?


Todo ser humano possui uma cosmovisão. Talvez você já tenha lido esta palavra em algum lugar ou mesmo ouvido algo sobre o assunto, mas não tem a menor idéia do significado deste termo. Mas saiba que mesmo sem saber o que é isso, você possui uma cosmovisão.

Aquilo que cada pessoa é, o que defende, o que vive, é resultado da cosmovisão que permeia sua vida. Em nosso caso específico, vivemos de acordo com a Cosmovisão Cristã (um desdobramento da Cosmovisão Teísta). Como a humanidade é diversificada ao extremo, nos mais distintos aspectos, existe uma gama muito variada de cosmovisões.


Para todo e qualquer cristão ser mais eficiente no cumprir da Grande Comissão (Mt 28.19-20), é importante conhecer as premissas que caracterizam e diferenciam as variadas cosmovisões existentes. Para aquele que enxerga na apologética uma ferramenta útil para a propagação do Evangelho, o discernimento das cosmovisões é essencial.


Empresto as palavras de um grande teólogo e apologista quanto à definição do termo cosmovisão:

“Modo pelo qual a pessoa vê ou interpreta a realidade. A palavra alemã é weltanschau-ung, que significa um ‘mundo e uma visão da vida’, ou ‘um paradigma’. É a estrutura por meio da qual a pessoa entende os dados da vida. Uma cosmovisão influencia muito a maneira em que a pessoa vê Deus, origens, mal, natureza humana, valores e destino.” 1

Na medida que nos aprofundarmos neste tema, vamos compreender duas coisas básicas:

1) Cosmovisões distintas existem, mas não é possível concordar coerentemente com as premissas centrais de duas ou mais cosmovisões;

2) Cosmovisão é como óculos, para que a realidade faça sentido é preciso visualiza-la de acordo com uma cosmovisão coerente e verdadeira, ou seja, com as “lentes corretas”.

Existem sete cosmovisões básicas; são sete matrizes das quais as demais formas de enxergar o todo derivam: Teísmo, Deísmo, Ateísmo, Panteísmo, Panenteísmo, Teísmo Finito e Politeísmo. Com exceção da relação muito próxima entre o Panteísmo e Politeísmo, não há compatibilidade entre as demais cosmovisões. Veja um pouco de cada uma na tabela abaixo:


Este pequeno texto é apenas uma introdução, uma proposta para estudo de cada uma das cosmovisões descritas acima. Numa séria de sete textos que virão, vamos nos aprofundar em seus ensinos, divulgadores e movimentos relacionados a sua respectiva matriz.

O primeiro estudo será sobre a Cosmovisão Teísta, dando forte ênfase ao Cristianismo.

Partindo da Cosmovisão Cristã, iremos lançar os argumentos suficientes para mostrar por que cremos que ela é a única cosmovisão verdadeira e digna de crédito, e por inferência, digna de ser defendida. Como disse Edward John Carnell: Se o cristianismo não é digno de defesa, então o que é?

Toda honra e glória ao Senhor!

Notas: 1 GEISLER, Norman L. Enciclopédia de apologética. São Paulo, SP: Editora Vida, 2002. p.188

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sábado, 12 de dezembro de 2009

Deus amou o mundo.


A palavra “mundo” na Bíblia tem pelo menos três significados. Pode representar o “mundo natureza criada”, como no Salmo 24.1: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam”. Também se refere ao mundo como sistema de valores anti-reino de Deus, como em 1 João 2.15: “não amem o mundo nem o que no mundo há”. Mas, principalmente, mundo é uma referências a pessoas, ou mesmo à humanidade, como em João 3.16: “Deus amou o mundo”.

Quando se refere às pessoas, o Evangelho de João, por exemplo, deixa claro que são pessoas em oposição a Deus. Não receberam Jesus em sua divindade (1.10), não reconheceram sua messianidade (1.11) e rejeitaram sua obra (1.12). A palavra “mundo”, portanto, se refere às pessoas que estão em rebelião contra Deus e alienadas de Deus (8.23,24) e que, portanto, têm como fonte de vida (morte) o Diabo (8.41-44). Por estas razões, nutrem um ódio não apenas contra Deus como também contra tudo quanto lhe diz respeito, principalmente aqueles que reconhecem Jesus em sua divindade e messianidade e a ele se submetem em amor (15.18-25). Na Bíblia Sagrada, a expressão “mundo” não aponta para pessoas amáveis, ou que naturalmente despertam nossa compaixão e cativam nossa solidariedade. Inclui a criança abusada, a vítima de um ato de violência e injustiça e alguém que sofre em virtude da estupidez de um terceiro. Mas também inclui o abusador pedófilo, o corrupto que se locupleta às custas da miséria alheia e o motorista alcoolizado que atropelou e matou três pedestres. O amor de Deus abraça todos aqueles que teríamos razões suficientes para odiar. Pessoas inescrupulosas, que nos ferem, usurpam nossos direitos, nos submetem ao sofrimento em virtude de sua maldade, egoísmo e indiferença a tudo quanto é sagrado.

Erroneamente acreditamos que essas pessoas ocupam apenas as páginas dos jornais, transbordando sua malignidade do alto dos morros e na periferia pobre de nossas cidades. Mais facilmente classificamos como “pessoas odiáveis” o político mau caráter, o terrorista fanático, o soldado do crime organizado e o bandido que usa farda e trai a honradez dos homens que integram nossas forças policiais. Mas no caso de Jesus as pessoas chamadas “mundo” estavam bem ao seu lado: eram os líderes de sua religião, seus amigos mais íntimos, seus homens de confiança e, especialmente, muitas que foram abençoadas por ele. Anás e Caifás, Judas, Pedro e todos quantos gritaram Barrabás. Não eram pessoas distantes. A maioria, inclusive, partilhava de sua mesa, seu afeto, sua compaixão e seu serviço amoroso.

Amar o mundo, portanto, é um desafio sobre humano. Exige abrir mão do desejo de vingança e da retaliação; recusar pagar o mal com o mal; guardar o coração do ódio, da mágoa e do ressentimento. Amar implica servir e abençoar os não amáveis: alimentar o inimigo faminto, dar de beber ao que nos odeia e tratar as feridas de quem nos quer mal. Esses todos, de quando em vez, nos chegam de longe. Mas, de fato, geralmente transitam em nossos círculos mais próximos: a família, a comunhão de amigos e a comunidade chamada igreja.

Não foi sem razão que até mesmo para Deus amar custou e custa caro: Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito. Amar custou para Deus dizer não a si mesmo para que pudesse dizer sim ao mundo que amou: Jesus não se apegou às suas prerrogativas e direitos divinos, “mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens, e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

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